A mala que ninguém vê: onde fica sua casa quando o mundo é seu escritório?

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Mudar de país, carregar o notebook na mochila e ver o sol nascer em um lugar diferente todo mês parece o roteiro de um filme de liberdade. Mas, entre um check-in e outro, existe uma bagagem que não passa pela esteira do aeroporto: os nossos sentimentos.

Para nós, brasileiros, essa jornada tem uma construção cultural diferente. Somos propensos a abraços, conversas longas e conexões que o Wi-Fi nem sempre consegue traduzir. Quando a paisagem muda, mas a sensação de "não pertencer" continua lá, é hora de olhar com carinho para o que está acontecendo dentro de você.

É permitido sentir cansaço na liberdade

Muitas vezes, nômades digitais sentem uma pressão invisível para estarem sempre gratos e deslumbrados pelas experiências que estão vivendo em outros países. Afinal, "você está viajando o mundo!". Mas a verdade é que o cansaço de ter que aprender onde se compra pão, como se diz "obrigado" ou como funciona o transporte público e qual é a diferença de horário para o Brasil a cada nova cidade ou país consome uma energia mental muito grande.

Se você sentiu um aperto no peito ao ver uma foto da família no domingo ou se a tão sonhada liberdade começou a parecer solidão, saiba: está tudo bem. Você não está sendo ingrato; você está apenas sendo humano. Na psicologia, temos uma área de estudos que chamamos de Psicologia Intercultural. Ela não serve apenas para estudar costumes diferentes, mas para entender o que acontece com a nossa identidade quando somos "estrangeiros" o tempo todo.

Às vezes, a gente se perde um pouco entre quem éramos no Brasil e quem passamos a ser vivendo lá fora. Entender esse processo é um alívio; ajuda a perceber que o estranhamento não é um defeito seu, mas parte de uma transformação bonita (e às vezes dolorida) de quem se permite florescer em outros solos.

Pequenos carinhos para a sua vida em trânsito

Como cuidar de si quando o endereço muda o tempo todo? Aqui vão algumas sugestões :

  • Busque o seu "cheiro de casa": seja uma playlist de músicas brasileiras, o hábito de fazer um café ou comida ou aquela chamada de vídeo sem pressa com quem te conhece de verdade. Esses podem ser seus portos seguros.

  • Respeite o seu ritmo, não o das redes sociais: se hoje você só quer passar um tempo no quarto lendo, ouvindo podcast ou assistindo a algo em português, respeite isso. Você não precisa "zerar" a cidade todos os dias.

  • Crie raízes em você: já que as paredes e pisos mudam, faça de você a sua própria morada. Ter rituais - que façam sentido para você - que te acompanham onde quer que você vá ajuda a acalmar o coração.

Um lugar para pousar

Viver pelo mundo é uma experiência de expansão, mas todo mundo precisa de um lugar para descarregar a mala emocional. A psicoterapia é esse espaço. Falar a sua língua materna, ser compreendido na sua cultura e ter um lugar seguro para dizer "estou com medo", "me sinto sozinho" ou "não sei quem eu sou agora" é o que torna a jornada sustentável. A terapia online permite que, não importa onde você aterre, você tenha uma âncora. Um momento na semana para organizar os pensamentos e sentimentos e seguir viagem com mais leveza.

Você não precisa carregar o mundo inteiro nas costas sozinho. Se sentir que a jornada está ficando pesada, que tal agendar uma sessão? Estou aqui para ser esse ponto de apoio, onde quer que você esteja no mapa.

Thaís Milena Vale de Sousa

Psicóloga CRP 04/71103